sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Uma esmola pelo amor de Deus

“Uma esmola pelo amor de Deus


Uma esmola, meu, por caridade


Uma esmola pro ceguinho, pro menino


Em toda esquina, tem gente só pedindo


Uma esmola pro desempregado


Uma esmolinha pro preto pobre doente


Uma esmola pro que resta do Brasil


Pro mendigo, pro indigente. ”


Skank – Esmola





Apesar de ser a capital do Brasil, ser a cidade com maior renda per capita, Brasília ostenta o título de lugar mais desigual do País, sendo superior à desigualdade nacional. Ela foi planejada com a função política de abrigar órgãos de poder, afastar a classe baixa e submoradias, misérias e também com função geoestratégica afastando o centro de poder brasileiro do litoral.


Brasília na sua construção atraiu migrantes, porém na nova capital não era bem vinda famílias de classe baixa, deslocando assim para o entorno criando as cidades – satélites. Foi criada para a classe alta, gerando a partir daí o crescente hiato dessa cidade, quem é rico mora na cidade e quem é pobre mora no entorno, favorecendo a minoria e excluindo a maioria exibindo o atual contraste entre o funcionalismo público e o grande número de pessoas pobres e miséria.


A fim de diminuir o índice de desigualdade social não só em Brasília mais em todo o Brasil, o governo criou programas sociais com a finalidade de dar ajuda na renda da população mais necessitada, que possui uma renda per capita muito baixa. São alguns deles o programa Bolsa Família, Fome Zero, Bolsa Escola e funcionam com a distribuição de auxilio financeiro de um determinado valor a essas famílias e em contrapartida essas mesmas teriam que seguir os acordos para que continuassem recebendo esse auxilio.


Ao longo desses projetos afinal, os programas são um auxílio ou uma esmola? De uma forma indireta esses programas acabam distribuindo esmola, uma esmola que o governo dá para a população mais pobre, porém essa “esmola” não tem uma mudança positiva ao longo da execução desses programas. É verdade que acaba tirando famílias da linha da pobreza, mais acaba virando um vício e/ou um costume. O governo rebate as críticas dizendo que a renda média da população cresceu, o salário mínimo aumentou e reduzindo a desigualdade. A educação popular diz que e errado dar esmola a um garoto no sinal, por que então é certa a criação desses programas governamentais de auxílio de dinheiro? Num seria também uma face mais coberta e alisada da popular esmola?

Carine Santana/Tatiana Nunes (2M4)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Valorization do que é internacional

Não é de hoje que nós, brasileiros, tendemos a preferir o que vem de fora. Músicas, comidas, costumes e mão-de-obra. Tudo o que é europeu, estadunidense, é mais bonito, mais desenvolvido, é melhor.

Por que as pessoas preferem coca-cola a guaraná? Por que falar OK e não ‘tudo bem’? Por que falar drive thru, fast food, self-service? Por que comer McDonald’s e não uma boa comidinha mineira ou baiana? Por que o preconceito com as religiões Candomblé e Umbanda? Por que preferir Black Eyed Peas, Madonna, The Beatles à MPB, ao samba carioca com Fundo de Quintal, ao choro de Pixinguinha, ao frevo de Moraes Moreira, à bossa nova de Toquinho, ao pop rock com Engenheiros do Hawaii, à música caipira de Renato Teixeira, Almir Sater, ao forró com Luiz Gonzaga ou mesmo ao rap dos Racionais Mc’s?

Há quem diga que gosto não se discute. Abre-se, porém, a discussão: por que enaltecer outras culturas senão a nossa, de um Brasil pisoteado e influenciado desde o descobrimento até a era da globalização? E que descobrimento é este – cuja data comemora-se até hoje - se já havia um povo habitando esta terra? Culturas estas que engoliram a nossa identidade, impuseram outras religiões e costumes, governaram para benefício próprio, exploraram e subjugaram nosso povo; e ainda assim, o voto vai para eles...

Talvez parte da explicação para a falta de nacionalismo e o preconceito racial esteja no legado que herdamos do 2º Reinado, de Dom Pedro II, em que o Brasil viveu o auge da produção cafeeira e a tão almejada, a lenta e gradual, a última a acontecer na América Latina: abolição da escravatura! Foi neste período que eclodiu no país o “Projeto de Embranquecimento do Brasil”, o qual não só objetivou clarear nossa raça, a raça negra, indígena, mestiça e naquela concepção, fraca e submissa, mas preferiu descartar a mão-de-obra negra e importar a valiosíssima mão-de-obra européia. Junto a isto, A Lei Eusébio de Queiroz, 1850, decretou o fim do tráfico negreiro. “Já que um dia a mão-de-obra negra vai faltar, é melhor que um europeu venha trabalhar em minhas terras”, provável frase de um latifundiário brasileiro da época.
O fato é que sempre houve valorização do estrangeiro frente ao nacional e o brasileiro não faz muita questão de mudar.
Carpinteiro, marceneiro, bombeiro, vidraceiro, caseiro, jardineiro, porteiro, formigueiro, BRASILEIRO. Português, inglês, francês, holandês, norueguês, escocês, burguês. Ironia do destino ou simplesmente convenção lingüística?

Louise/Marcela (2m1)

Retorno às origens

Em 7 de setembro de 1822, D. Pedro I declarou a Independência do Brasil, fato histórico com direito à feriados e comemorações especiais, como desfiles e festividades. No entanto, o que esse heróico fato esconde é uma complicada negociação, movendo muito mais os moinhos da economia que as vias militares. O novíssimo Império Brasileiro teve de pagar altas quantias à Inglaterra e Portugal, além de submeter-se a uma “pseudo-exclusividade” para com a primeira, colocando uma política de impostos favorável ao produto inglês. Um método que beneficiava quem realmente importava: o governo em si e a base de tudo isso, que eram os latifundiários brasileiros.

Inicialmente, a cana-de-açúcar produzida no nordeste impulsionou nossa economia, seguida de produtos como ouro, algodão e finalmente o café. A economia seguia o ritmo escolhido pelos grandes produtores, sempre voltados para a exportação de seu produto, baseando-se num sistema monocultor e escravista. Também, dependiam do imperador para manter a estabilidade territorial no país, conseguindo atingir um desenvolvimento econômico concreto aos seus interesses. Tudo isso para manter a roda capitalista girando, afinal, os países predominantemente agrários deveriam produzir e vender aos outros países industrializados. No entanto, o capitalismo sofreu danos consideráveis, conflitos e uma necessidade de ampliação mercantil.

Milhões de imigrantes saíram das terras conturbadas da Europa para tentar a vida no Novo Mundo, enquanto a escravidão era abolida e os até então “objetos de uso pessoal” foram largados no mundo, com poucas chances de conseguir um emprego e ter uma vida digna. No entanto, a falta de terras baratas também desiludiu os europeus recém-chegados, obrigando-os a trabalhar (muitas vezes em regimes de quase escravidão) nos latifúndios escravistas.

No entanto, a instabilidade do mercado atravessou décadas. Demissões, falta de empregos, pobreza e condições subumanas atacaram a sociedade mais inferiorizada, tanto dos ex-escravos quanto dos imigrantes muitas vezes sem terras próprias. Os que tinham pouco caíram em desgraça, dependendo de empregos muitas vezes depreciáveis pelas suas condições. Temos, como exemplo, o bóia-fria, uma espécie de “diarista rural”, o qual trabalha principalmente nas já conhecidas plantações de cana e café. São transportados como animais, convivendo num ambiente cruel e perigoso, apenas buscando o seu sustento, o que alcança com dificuldade ficando, assim, dependente desse emprego. Um exemplo de como a sociedade avança muito e acaba progredindo talvez até involuntariamente, levando em conta todo o desenvolvimento da situação, mas isso não tira a culpa necessária. São 187 anos de um sistema discriminatório e egoísta, o que faz todos os compatriotas brasileiros pararem e pensarem sobre o problema, principalmente, nas raízes dele.
Cristian Savoldi Righi/Renato Cossich (2M1)

Os bons




“Os bons – eles não podem criar, eles são sempre o princípio do fim -


- eles crucificam aquele que escreve novos valores sobre novas tábuas, eles sacrificam a si o futuro, eles crucificam todo o futuro dos homens!
Os bons – eles foram sempre o princípio do fim... E sejam quais forem os danos que possam causar os caluniadores do mundo, o dano dos bons é o mais danoso dos danos. ”¹

O bom governou o Brasil através da figura de D. Pedro I. Esse que pouco conseguiu esconder e logo se revelou autoritário. Depois pela figura do brasileiro, a concretização da independência, durante a regência, e novamente sacrificou-se possibilitando revoltas de uma população desamparada pela falta de participação política. Desenvolvida a partir de leis propícias e poder financeiro, a dominação dos coronéis, justificada pela causa de sua “política de auxílio social” nos leva ao contraste entre o interesse público e o particular, que ganha prioridade disfarçando-se de bondade.
O bom torna-se bom disfarçando-se através da compaixão, dando pequenos prazeres àqueles que nada tem, escondido por crenças favoráveis e montado numa moral cristã, uma dominação maciça da população, a melhor forma propaganda, o melhor escudo. Mas uma vez que ele ultrapassa seus limites, que expõe aqueles que com ele levam a falsa moral e põe em risco toda a tradição, sua imagem é destruída para que a verdade eminente desapareça, e o normal, o ético e o moral continue comandando. A exemplo atual, temos o caso de Fernando Collor de Melo, “O caçador de Marajás”, que continuou com a mentira tradicional e que provavelmente se reelegeria, mas por mexer com quem não devia acabou saindo bem mais rápido por um crime mais simples que os cometidos hoje.
A falsa verdade demonstrada no Brasil Império, como citado, não surgiu ali, acompanha o homem desde a construção dos falsos valores, da antítese da vida, em pequena e grande escala, com o objetivo de dar poder a alguns e suprir a necessidade humana de crer em algo, tornando possível um ideal ilusório, o que se traduz na moral cristã.
A “política de auxílio social” é comumente implantada no Brasil visando “o bem do povo”. E hoje, ao dar pão, lotes e construir falsas ilusões, como se evidencia na foto, políticos tornam-se bons, são eleitos, tomam o poder mediante aprovação pública, e por serem bons, suas fraudes são omitidas e desconsideradas.
“E tudo isso foi acreditado como moral! – Ecrasez L’infame! ²”³
Natália Pantarotto (2m1)
¹ Nietzsche, Friedrich, Ecce Homo, L&PM Editores, Brasil, Porto Alegre, 2006, p.149.² “Esmagai a infame” Célebre frase de Voltaire a respeito da Igreja.³ Nietzsche, Friedrich, Ecce Homo, L&PM Editores, Brasil, Porto Alegre, 2006, p.154.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Primo pobre, primo rico

Desde a época da colonização do Brasil há desigualdade social, onde alguns mandam e têm acesso ao que é de melhor qualidade, enquanto outros são explorados e vivem em condições muitas vezes desumanas. Em 1530 o Estado português, por intermédio dos capitães-donatários, decidiu distribuir terras por concessão para assegurar a efetiva colonização. Disso surgiram dois personagens: o latifundiário e o posseiro, e somente os primeiros tinham acesso às terras, o que comprova que só quem tem dinheiro pode evoluir. Isto também pode ser visto durante o Segundo Reinado, quando latifundiários disputavam o poder local e central. Com isso não havia o pensamento coletivo, mas o individual, colaborando para o aumento da desigualdade e para o aumento da barreira que separa as classes sociais.

A foto representa uma escola de Brasília. As condições as quais as pessoas de classes inferiores têm que se submeter para terem acesso à educação são preocupantes. O Governo investe no que garante uma melhor qualidade de vida às pessoas das classes média e alta, enquanto as pessoas de classe baixa ouvem apenas promessas, que em sua maioria não são cumpridas.

O acesso à educação e saúde deveriam ser um direito de todos, mas não é a realidade. Governar para as classes mais altas é tapar os olhos para a realidade que nos cerca. Para que aconteça uma reestruturação social, diminuindo o índice de pobreza e aumentando o índice de educação, é necessário investir nesta área de maneira menos corrupta e mais justa, agindo agora antes que seja tarde demais, tentando corrigir as falhas que constituem a base da pirâmide social, que vem sofrendo as mesmas calamidades de muito tempo atrás.

Jordana Lemos/Giovana Christ/Larissa Hansen (2M1)

Jeitinho brasileiro


Durante o Brasil Império houve a abdicação de Dom Pedro I em 1831. Dom Pedro II era menor de idade com apenas 5 anos na época, o que impossibilitou sua ascensão ao trono do Brasil, pois a Constituição de 1824 designava para esta função o membro da família real com mais de 25 anos de idade. Já que não existia ninguém nessas condições era preciso escolher um regente, assim, os deputados e senadores elegeram uma regência composta por três membros, a Regência Trina Provisória. Essa regência, que governou o país por aproximadamente três meses, era composta pelos senadores Nicolau dos Campos Vergueiro e José Joaquim de Campos (Marquês de Caravelas) e pelo Brigadeiro Francisco de Lima e Silva, pai do Duque de Caxias. A pressa em se eleger a Regência deveu-se ao temor do acirramento da agitação popular.
A alternativa de improvisação para a tomada do poder adotada por latifundiários da época se remete a um quadro muito presente na sociedade brasileira atualmente, o famoso ``jeitinho brasileiro´´, que são as diferentes formas e maneiras adotadas para driblar problemas ou situações do cotidiano. Percebe-se resquícios disso na política, educação e em assuntos como o caso representado na foto, onde o governo utilizou uma área pública para instalar uma base para bombeiros de forma improvisada, ao invés de mandá-los para o corpo de bombeiros mais próximo, devido a uma reforma no quartel.
Fazendo um paralelo entre ambas as situações citadas, pode-se perceber que o ``jeitinho brasileiro´´ é usado independentemente da época e que ele já faz parte da identidade brasileira. Mas será que não existe uma outra forma mais ética e correta de se resolver os problemas? Será que são artimanhas como essas que queremos que façam parte de nossa cultura e identidade?
Patrícia Araújo/Laysa Bianca (2M1).
Uma das principais características da estrutura política brasileira é o conflito, fortalecido pela confusão entre o público e o privado, entre o poder central e o poder local. O que isso significa é o uso do poder central (público) para fortalecer o poder local (privado).
Um bom exemplo de que isso ocorre na prática atualmente no Brasil, são os políticos (Ministros, Deputados, Senadores, entre outros), que utilizam de seus privilégios, como carros do governo, em horários de lazer nos finais de semana, como ir a um restaurante ou ao clube com a família, gastando até mesmo a gasolina que a população paga incluída nos impostos.
Mas essa “confusão” já vem de muito antes, da época em que o Brasil ainda não se considerava uma nação. No Período Regencial, em que latifundiários mandavam mais do que quem estava no governo (o Regente), o poder central era utilizado a todo instante para fortalecer as oligarquias. A exemplo disso existia a Guarda Nacional, que era um milícia de caráter local (protegia somente a área do latifundiário que a patrocinava) e também servia para defender os interesses do coronel, na qual quem entrasse estava dispensado do exército brasileiro, enfraquecendo - o e prejudicando o governo. O critério para alistamento na Guarda Nacional era ser votante, mas, para isso, era preciso que se tivesse uma renda mínima, isto é, os cargos eram comprados. Isso mostra o poder de polícia (poder executivo) que estava nas mãos das elites locais, fortalecendo ainda mais o poder local.
Portanto essa má utilização dos serviços públicos vem desde o início da formação do estado brasileiro, mostrando que o “jeitinho brasileiro” de conseguir as coisas nasceu junto com o Brasil.
Fernanda Sá/Luciana Drummond/Natalie Monteiro (2m3)