Em 7 de setembro de 1822, D. Pedro I declarou a Independência do Brasil, fato histórico com direito à feriados e comemorações especiais, como desfiles e festividades. No entanto, o que esse heróico fato esconde é uma complicada negociação, movendo muito mais os moinhos da economia que as vias militares. O novíssimo Império Brasileiro teve de pagar altas quantias à Inglaterra e Portugal, além de submeter-se a uma “pseudo-exclusividade” para com a primeira, colocando uma política de impostos favorável ao produto inglês. Um método que beneficiava quem realmente importava: o governo em si e a base de tudo isso, que eram os latifundiários brasileiros.Inicialmente, a cana-de-açúcar produzida no nordeste impulsionou nossa economia, seguida de produtos como ouro, algodão e finalmente o café. A economia seguia o ritmo escolhido pelos grandes produtores, sempre voltados para a exportação de seu produto, baseando-se num sistema monocultor e escravista. Também, dependiam do imperador para manter a estabilidade territorial no país, conseguindo atingir um desenvolvimento econômico concreto aos seus interesses. Tudo isso para manter a roda capitalista girando, afinal, os países predominantemente agrários deveriam produzir e vender aos outros países industrializados. No entanto, o capitalismo sofreu danos consideráveis, conflitos e uma necessidade de ampliação mercantil.
Milhões de imigrantes saíram das terras conturbadas da Europa para tentar a vida no Novo Mundo, enquanto a escravidão era abolida e os até então “objetos de uso pessoal” foram largados no mundo, com poucas chances de conseguir um emprego e ter uma vida digna. No entanto, a falta de terras baratas também desiludiu os europeus recém-chegados, obrigando-os a trabalhar (muitas vezes em regimes de quase escravidão) nos latifúndios escravistas.
No entanto, a instabilidade do mercado atravessou décadas. Demissões, falta de empregos, pobreza e condições subumanas atacaram a sociedade mais inferiorizada, tanto dos ex-escravos quanto dos imigrantes muitas vezes sem terras próprias. Os que tinham pouco caíram em desgraça, dependendo de empregos muitas vezes depreciáveis pelas suas condições. Temos, como exemplo, o bóia-fria, uma espécie de “diarista rural”, o qual trabalha principalmente nas já conhecidas plantações de cana e café. São transportados como animais, convivendo num ambiente cruel e perigoso, apenas buscando o seu sustento, o que alcança com dificuldade ficando, assim, dependente desse emprego. Um exemplo de como a sociedade avança muito e acaba progredindo talvez até involuntariamente, levando em conta todo o desenvolvimento da situação, mas isso não tira a culpa necessária. São 187 anos de um sistema discriminatório e egoísta, o que faz todos os compatriotas brasileiros pararem e pensarem sobre o problema, principalmente, nas raízes dele.
Cristian Savoldi Righi/Renato Cossich (2M1)

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