sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Uma esmola pelo amor de Deus

“Uma esmola pelo amor de Deus


Uma esmola, meu, por caridade


Uma esmola pro ceguinho, pro menino


Em toda esquina, tem gente só pedindo


Uma esmola pro desempregado


Uma esmolinha pro preto pobre doente


Uma esmola pro que resta do Brasil


Pro mendigo, pro indigente. ”


Skank – Esmola





Apesar de ser a capital do Brasil, ser a cidade com maior renda per capita, Brasília ostenta o título de lugar mais desigual do País, sendo superior à desigualdade nacional. Ela foi planejada com a função política de abrigar órgãos de poder, afastar a classe baixa e submoradias, misérias e também com função geoestratégica afastando o centro de poder brasileiro do litoral.


Brasília na sua construção atraiu migrantes, porém na nova capital não era bem vinda famílias de classe baixa, deslocando assim para o entorno criando as cidades – satélites. Foi criada para a classe alta, gerando a partir daí o crescente hiato dessa cidade, quem é rico mora na cidade e quem é pobre mora no entorno, favorecendo a minoria e excluindo a maioria exibindo o atual contraste entre o funcionalismo público e o grande número de pessoas pobres e miséria.


A fim de diminuir o índice de desigualdade social não só em Brasília mais em todo o Brasil, o governo criou programas sociais com a finalidade de dar ajuda na renda da população mais necessitada, que possui uma renda per capita muito baixa. São alguns deles o programa Bolsa Família, Fome Zero, Bolsa Escola e funcionam com a distribuição de auxilio financeiro de um determinado valor a essas famílias e em contrapartida essas mesmas teriam que seguir os acordos para que continuassem recebendo esse auxilio.


Ao longo desses projetos afinal, os programas são um auxílio ou uma esmola? De uma forma indireta esses programas acabam distribuindo esmola, uma esmola que o governo dá para a população mais pobre, porém essa “esmola” não tem uma mudança positiva ao longo da execução desses programas. É verdade que acaba tirando famílias da linha da pobreza, mais acaba virando um vício e/ou um costume. O governo rebate as críticas dizendo que a renda média da população cresceu, o salário mínimo aumentou e reduzindo a desigualdade. A educação popular diz que e errado dar esmola a um garoto no sinal, por que então é certa a criação desses programas governamentais de auxílio de dinheiro? Num seria também uma face mais coberta e alisada da popular esmola?

Carine Santana/Tatiana Nunes (2M4)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Valorization do que é internacional

Não é de hoje que nós, brasileiros, tendemos a preferir o que vem de fora. Músicas, comidas, costumes e mão-de-obra. Tudo o que é europeu, estadunidense, é mais bonito, mais desenvolvido, é melhor.

Por que as pessoas preferem coca-cola a guaraná? Por que falar OK e não ‘tudo bem’? Por que falar drive thru, fast food, self-service? Por que comer McDonald’s e não uma boa comidinha mineira ou baiana? Por que o preconceito com as religiões Candomblé e Umbanda? Por que preferir Black Eyed Peas, Madonna, The Beatles à MPB, ao samba carioca com Fundo de Quintal, ao choro de Pixinguinha, ao frevo de Moraes Moreira, à bossa nova de Toquinho, ao pop rock com Engenheiros do Hawaii, à música caipira de Renato Teixeira, Almir Sater, ao forró com Luiz Gonzaga ou mesmo ao rap dos Racionais Mc’s?

Há quem diga que gosto não se discute. Abre-se, porém, a discussão: por que enaltecer outras culturas senão a nossa, de um Brasil pisoteado e influenciado desde o descobrimento até a era da globalização? E que descobrimento é este – cuja data comemora-se até hoje - se já havia um povo habitando esta terra? Culturas estas que engoliram a nossa identidade, impuseram outras religiões e costumes, governaram para benefício próprio, exploraram e subjugaram nosso povo; e ainda assim, o voto vai para eles...

Talvez parte da explicação para a falta de nacionalismo e o preconceito racial esteja no legado que herdamos do 2º Reinado, de Dom Pedro II, em que o Brasil viveu o auge da produção cafeeira e a tão almejada, a lenta e gradual, a última a acontecer na América Latina: abolição da escravatura! Foi neste período que eclodiu no país o “Projeto de Embranquecimento do Brasil”, o qual não só objetivou clarear nossa raça, a raça negra, indígena, mestiça e naquela concepção, fraca e submissa, mas preferiu descartar a mão-de-obra negra e importar a valiosíssima mão-de-obra européia. Junto a isto, A Lei Eusébio de Queiroz, 1850, decretou o fim do tráfico negreiro. “Já que um dia a mão-de-obra negra vai faltar, é melhor que um europeu venha trabalhar em minhas terras”, provável frase de um latifundiário brasileiro da época.
O fato é que sempre houve valorização do estrangeiro frente ao nacional e o brasileiro não faz muita questão de mudar.
Carpinteiro, marceneiro, bombeiro, vidraceiro, caseiro, jardineiro, porteiro, formigueiro, BRASILEIRO. Português, inglês, francês, holandês, norueguês, escocês, burguês. Ironia do destino ou simplesmente convenção lingüística?

Louise/Marcela (2m1)

Retorno às origens

Em 7 de setembro de 1822, D. Pedro I declarou a Independência do Brasil, fato histórico com direito à feriados e comemorações especiais, como desfiles e festividades. No entanto, o que esse heróico fato esconde é uma complicada negociação, movendo muito mais os moinhos da economia que as vias militares. O novíssimo Império Brasileiro teve de pagar altas quantias à Inglaterra e Portugal, além de submeter-se a uma “pseudo-exclusividade” para com a primeira, colocando uma política de impostos favorável ao produto inglês. Um método que beneficiava quem realmente importava: o governo em si e a base de tudo isso, que eram os latifundiários brasileiros.

Inicialmente, a cana-de-açúcar produzida no nordeste impulsionou nossa economia, seguida de produtos como ouro, algodão e finalmente o café. A economia seguia o ritmo escolhido pelos grandes produtores, sempre voltados para a exportação de seu produto, baseando-se num sistema monocultor e escravista. Também, dependiam do imperador para manter a estabilidade territorial no país, conseguindo atingir um desenvolvimento econômico concreto aos seus interesses. Tudo isso para manter a roda capitalista girando, afinal, os países predominantemente agrários deveriam produzir e vender aos outros países industrializados. No entanto, o capitalismo sofreu danos consideráveis, conflitos e uma necessidade de ampliação mercantil.

Milhões de imigrantes saíram das terras conturbadas da Europa para tentar a vida no Novo Mundo, enquanto a escravidão era abolida e os até então “objetos de uso pessoal” foram largados no mundo, com poucas chances de conseguir um emprego e ter uma vida digna. No entanto, a falta de terras baratas também desiludiu os europeus recém-chegados, obrigando-os a trabalhar (muitas vezes em regimes de quase escravidão) nos latifúndios escravistas.

No entanto, a instabilidade do mercado atravessou décadas. Demissões, falta de empregos, pobreza e condições subumanas atacaram a sociedade mais inferiorizada, tanto dos ex-escravos quanto dos imigrantes muitas vezes sem terras próprias. Os que tinham pouco caíram em desgraça, dependendo de empregos muitas vezes depreciáveis pelas suas condições. Temos, como exemplo, o bóia-fria, uma espécie de “diarista rural”, o qual trabalha principalmente nas já conhecidas plantações de cana e café. São transportados como animais, convivendo num ambiente cruel e perigoso, apenas buscando o seu sustento, o que alcança com dificuldade ficando, assim, dependente desse emprego. Um exemplo de como a sociedade avança muito e acaba progredindo talvez até involuntariamente, levando em conta todo o desenvolvimento da situação, mas isso não tira a culpa necessária. São 187 anos de um sistema discriminatório e egoísta, o que faz todos os compatriotas brasileiros pararem e pensarem sobre o problema, principalmente, nas raízes dele.
Cristian Savoldi Righi/Renato Cossich (2M1)

Os bons




“Os bons – eles não podem criar, eles são sempre o princípio do fim -


- eles crucificam aquele que escreve novos valores sobre novas tábuas, eles sacrificam a si o futuro, eles crucificam todo o futuro dos homens!
Os bons – eles foram sempre o princípio do fim... E sejam quais forem os danos que possam causar os caluniadores do mundo, o dano dos bons é o mais danoso dos danos. ”¹

O bom governou o Brasil através da figura de D. Pedro I. Esse que pouco conseguiu esconder e logo se revelou autoritário. Depois pela figura do brasileiro, a concretização da independência, durante a regência, e novamente sacrificou-se possibilitando revoltas de uma população desamparada pela falta de participação política. Desenvolvida a partir de leis propícias e poder financeiro, a dominação dos coronéis, justificada pela causa de sua “política de auxílio social” nos leva ao contraste entre o interesse público e o particular, que ganha prioridade disfarçando-se de bondade.
O bom torna-se bom disfarçando-se através da compaixão, dando pequenos prazeres àqueles que nada tem, escondido por crenças favoráveis e montado numa moral cristã, uma dominação maciça da população, a melhor forma propaganda, o melhor escudo. Mas uma vez que ele ultrapassa seus limites, que expõe aqueles que com ele levam a falsa moral e põe em risco toda a tradição, sua imagem é destruída para que a verdade eminente desapareça, e o normal, o ético e o moral continue comandando. A exemplo atual, temos o caso de Fernando Collor de Melo, “O caçador de Marajás”, que continuou com a mentira tradicional e que provavelmente se reelegeria, mas por mexer com quem não devia acabou saindo bem mais rápido por um crime mais simples que os cometidos hoje.
A falsa verdade demonstrada no Brasil Império, como citado, não surgiu ali, acompanha o homem desde a construção dos falsos valores, da antítese da vida, em pequena e grande escala, com o objetivo de dar poder a alguns e suprir a necessidade humana de crer em algo, tornando possível um ideal ilusório, o que se traduz na moral cristã.
A “política de auxílio social” é comumente implantada no Brasil visando “o bem do povo”. E hoje, ao dar pão, lotes e construir falsas ilusões, como se evidencia na foto, políticos tornam-se bons, são eleitos, tomam o poder mediante aprovação pública, e por serem bons, suas fraudes são omitidas e desconsideradas.
“E tudo isso foi acreditado como moral! – Ecrasez L’infame! ²”³
Natália Pantarotto (2m1)
¹ Nietzsche, Friedrich, Ecce Homo, L&PM Editores, Brasil, Porto Alegre, 2006, p.149.² “Esmagai a infame” Célebre frase de Voltaire a respeito da Igreja.³ Nietzsche, Friedrich, Ecce Homo, L&PM Editores, Brasil, Porto Alegre, 2006, p.154.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Primo pobre, primo rico

Desde a época da colonização do Brasil há desigualdade social, onde alguns mandam e têm acesso ao que é de melhor qualidade, enquanto outros são explorados e vivem em condições muitas vezes desumanas. Em 1530 o Estado português, por intermédio dos capitães-donatários, decidiu distribuir terras por concessão para assegurar a efetiva colonização. Disso surgiram dois personagens: o latifundiário e o posseiro, e somente os primeiros tinham acesso às terras, o que comprova que só quem tem dinheiro pode evoluir. Isto também pode ser visto durante o Segundo Reinado, quando latifundiários disputavam o poder local e central. Com isso não havia o pensamento coletivo, mas o individual, colaborando para o aumento da desigualdade e para o aumento da barreira que separa as classes sociais.

A foto representa uma escola de Brasília. As condições as quais as pessoas de classes inferiores têm que se submeter para terem acesso à educação são preocupantes. O Governo investe no que garante uma melhor qualidade de vida às pessoas das classes média e alta, enquanto as pessoas de classe baixa ouvem apenas promessas, que em sua maioria não são cumpridas.

O acesso à educação e saúde deveriam ser um direito de todos, mas não é a realidade. Governar para as classes mais altas é tapar os olhos para a realidade que nos cerca. Para que aconteça uma reestruturação social, diminuindo o índice de pobreza e aumentando o índice de educação, é necessário investir nesta área de maneira menos corrupta e mais justa, agindo agora antes que seja tarde demais, tentando corrigir as falhas que constituem a base da pirâmide social, que vem sofrendo as mesmas calamidades de muito tempo atrás.

Jordana Lemos/Giovana Christ/Larissa Hansen (2M1)

Jeitinho brasileiro


Durante o Brasil Império houve a abdicação de Dom Pedro I em 1831. Dom Pedro II era menor de idade com apenas 5 anos na época, o que impossibilitou sua ascensão ao trono do Brasil, pois a Constituição de 1824 designava para esta função o membro da família real com mais de 25 anos de idade. Já que não existia ninguém nessas condições era preciso escolher um regente, assim, os deputados e senadores elegeram uma regência composta por três membros, a Regência Trina Provisória. Essa regência, que governou o país por aproximadamente três meses, era composta pelos senadores Nicolau dos Campos Vergueiro e José Joaquim de Campos (Marquês de Caravelas) e pelo Brigadeiro Francisco de Lima e Silva, pai do Duque de Caxias. A pressa em se eleger a Regência deveu-se ao temor do acirramento da agitação popular.
A alternativa de improvisação para a tomada do poder adotada por latifundiários da época se remete a um quadro muito presente na sociedade brasileira atualmente, o famoso ``jeitinho brasileiro´´, que são as diferentes formas e maneiras adotadas para driblar problemas ou situações do cotidiano. Percebe-se resquícios disso na política, educação e em assuntos como o caso representado na foto, onde o governo utilizou uma área pública para instalar uma base para bombeiros de forma improvisada, ao invés de mandá-los para o corpo de bombeiros mais próximo, devido a uma reforma no quartel.
Fazendo um paralelo entre ambas as situações citadas, pode-se perceber que o ``jeitinho brasileiro´´ é usado independentemente da época e que ele já faz parte da identidade brasileira. Mas será que não existe uma outra forma mais ética e correta de se resolver os problemas? Será que são artimanhas como essas que queremos que façam parte de nossa cultura e identidade?
Patrícia Araújo/Laysa Bianca (2M1).
Uma das principais características da estrutura política brasileira é o conflito, fortalecido pela confusão entre o público e o privado, entre o poder central e o poder local. O que isso significa é o uso do poder central (público) para fortalecer o poder local (privado).
Um bom exemplo de que isso ocorre na prática atualmente no Brasil, são os políticos (Ministros, Deputados, Senadores, entre outros), que utilizam de seus privilégios, como carros do governo, em horários de lazer nos finais de semana, como ir a um restaurante ou ao clube com a família, gastando até mesmo a gasolina que a população paga incluída nos impostos.
Mas essa “confusão” já vem de muito antes, da época em que o Brasil ainda não se considerava uma nação. No Período Regencial, em que latifundiários mandavam mais do que quem estava no governo (o Regente), o poder central era utilizado a todo instante para fortalecer as oligarquias. A exemplo disso existia a Guarda Nacional, que era um milícia de caráter local (protegia somente a área do latifundiário que a patrocinava) e também servia para defender os interesses do coronel, na qual quem entrasse estava dispensado do exército brasileiro, enfraquecendo - o e prejudicando o governo. O critério para alistamento na Guarda Nacional era ser votante, mas, para isso, era preciso que se tivesse uma renda mínima, isto é, os cargos eram comprados. Isso mostra o poder de polícia (poder executivo) que estava nas mãos das elites locais, fortalecendo ainda mais o poder local.
Portanto essa má utilização dos serviços públicos vem desde o início da formação do estado brasileiro, mostrando que o “jeitinho brasileiro” de conseguir as coisas nasceu junto com o Brasil.
Fernanda Sá/Luciana Drummond/Natalie Monteiro (2m3)

O peso da liberdade

A relação de subjugação entre duas ou mais classes sociais é algo comum e quase intrínseco a todas as sociedades. No caso do Brasil, a classe que se encontra em posição desfavorecida nessa relação é composta majoritariamente por negros. Tal fato remete aos tempos de colonização, quando iniciou-se o tráfico de escravos – os portugueses traziam escravos da África para serem comercializados e para trabalharem nos engenhos, onde eram submetidos a condições subumanas e a constantes humilhações por parte de seus senhores. Mesmo quando conseguiam a liberdade, o que raramente acontecia, era extremamente difícil viver numa sociedade já habituada a ver o negro como um servo.
Estas condições continuaram a ser impostas aos negros mesmo após a abolição da escravidão. O negro continuava sendo sinônimo de indivíduo inferior, socialmente e economicamente, e servo por natureza. Com o passar do tempo, a sociedade foi evoluindo gradualmente e o racismo passou a ser algo não tão frequente e explícito quando nos tempos de escravidão, mas persiste no mundo atual, podendo ser manifestado abertamente ou não. Um exemplo disto é um estudo realizado em novembro de 2007 pela Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que revelou que a renda mensal de um negro pode ser até 52,9% menor do que a de um branco, mesmo que seu nível de escolaridade seja o mesmo. Este estudo comprova o racismo existente até mesmo no mercado de trabalho, mais de 120 anos após a abolição da escravidão.
Do início do tráfico negreiro até a assinatura da Lei Áurea, passaram-se mais de 300 anos. Este momento da história brasileira foi marcado pela intensa desvalorização do negro como membro da sociedade e pela clara discriminação sofrida por eles também em aspectos econômicos e jurídicos – mas a herança desse período para o mundo moderno não é somente o preconceito para com os negros, que acabam sendo associados inconscientemente a indivíduos desafortunados e acostumados com a submissão e a servidão; é também o fato de que eles ocupam posições menos privilegiadas na sociedade e compõem a maior parte das camadas mais pobres da população, condição essa que é despercebida pela maioria dos membros das classes média e alta e que apenas contribui para a formação de um abismo social no Brasil.
Giovanna Paglia/Luna Campos/Mariana Boueres (2m3)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O bicho

O Bicho - Manuel Bandeira

Vi ontem um bicho
Na imundíce do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com vorcidade.

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Essa foto retrata brilhantemente a triste realidade da pobreza e da má distribuição de renda em nosso país, para não falarmos no mundo. No Brasil, esse flagelo atinge mais brutalmente as pessoas de cor negra. Por que será?
A resposta está no nosso passado. Os negros foram vítimas de uma expansão comercial, de um colonialismo, de um neocolonialismo, de uma ganância capitalista sem fim. A escravidão foi o abuso de uma raça sobre a outra. A que veio para “ensinar” o que era certo, a “inteligente” e “superior” sobre a que tinha tudo para “aprender” e por isso foi explorada, massacrada e humilhada. A raça que perdeu sua pátria, seu rei, seus deuses, seus filhos e seus direitos. A raça negra que serviu aos brancos e quando não lhes era mais interessante veio a ABOLIÇÃO.
Resolvemos escolher a foto dessa menina negra, comendo como um animal, com certeza morta de fome. Em seu rosto as marcas da tristeza, o olhar caído, a pele grossa e suja, o nariz escorrendo, o retrato do abandono. Por que, no Brasil, a maioria das pessoas que vivem nesse estado, é afro-descendente? Uma das respostas está na época do Império, quando a “bondosa” princesa Isabel resolveu assinar a Lei Áurea, aquela que libertou todos os escravos, definitivamente. Quem era aquela princesa tão “redentora” que pensou finalmente nos pobres escravos negros que sofreram durante tanto tempo? Era a filha de D. Pedro II que apenas assinou uma lei com dois artigos que não davam ao negro nada além de liberdade: nem terra, nem indenização, nem educação, nem garantias trabalhistas, nem saúde, nem emprego, nem cidadania. Que raça sem terra, pobre e esfomeada se reergueria num país de ricos e brancos latifundiários?
Isabella de Carvalho/Gustavo Mee (2m2)

Família Sarney à moda real


JÁ NÃO BASTASSE A DECISÃO DO STF (SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL), QUE DETERMINOU A PROIBIÇÃO DE CONTRATAÇÃO DE FAMILIARES EM GABINETES POLÍTICOS NO SENADO, DA MESMA FORMA EM QUE UM REI PASSA A COROA PARA UM FILHO, A FAMÍLIA DO PRESIDENTE DO SENADO, JOSÉ SARNEY, CONTINUA A VIVER À MODA ANTIGA, JÁ QUE NA ÉPOCA DA MONARQUIA O SISTEMA ERA HEREDITÁRIO. JOSÉ SARNEY USA DO NEPOTISMO, UM MECANISMO PARA CONCEDER PODER POLÍTICO AOS SEUS FAMILIARES, NÃO DE FORMA HEREDITÁRIA, OBVIAMENTE, MAS CEDENDO VAGAS EM SEU GABINETE (QUE SÃO PAGAS COM O DINHEIRO PÚBLICO) PARA DIVERSOS FAMILIARES COMO SOBRINHAS, NETO E ATÉ MESMO PRIMAS E UMA SOBRINHA DE SEU GENRO.
NA ÉPOCA EM QUE A FAMÍLIA REAL ESTAVA A COMANDO DO BRASIL ERA ATRAVÉS DOS IMPOSTOS QUE A CORÔA ERA SUSTENTADA. HOJE, ATRAVÉS DOS NOSSOS IMPOSTOS, SUSTENTAMOS NOSSOS REPRESENTANTES E EM ALGUNS CASOS, ICONSEQUENTEMENTE, TAMBÉM SUSTENTAMOS UMA "PODEROSA FAMÍLIA”, QUE FICA EMPREGADA NO SENADO FEDERAL DE FORMA ILEGAL. E O QUE É MAIS IMPORTANTE: VIVEMOS EM UMA REPÚBLICA ONDE PODEMOS ESCOLHER DEPUTADOS, SENADORES E ATÉ MESMO O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, E APESAR DE VOTARMOS EM APENAS UM CANDIDATO ACABAMOS ENRIQUECENDO UMA GRANDE “FAMÍLIA REAL” EM PLENO SÉCULO XXI AOS MOLDES DO SÉCULO XIX.
NO SISTEMA DE MONARQUIA É COMUM GERALMENTE QUE O REI PASSE O POSTO PARA O FILHO, MAS NA REPÚBLICA O PODER NÃO FUNCIONA DA MESMA FORMA. O PRÓXIMO PRESIDENTE É ESCOLHIDO PELO PRÓPRIO POVO (A EXEMPLO DO BRASIL COM SISTEMA PRESIDENCIALISTA), SENDO ASSIM O NEPOTISMO NO BRASIL FÉRE OS DEVERES DOS NOSSOS REPRESENTANTES POLÍTICOS E TAMBÉM FÉRE O DIREITO DO POVO QUE VAI ÀS URNAS DEPOSITAR SEU VOTO EXERCENDO SUA DEMOCRACIA.
A DECISÃO DO STF (SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL) DEIXA BEM CLARO QUE ESSE TIPO DE ATITUDE É ILEGAL, PROIBIDA, TANTO QUE AS CONTRATAÇÕES FORAM FEITAS ESCONDIDAS. OS TEMPOS MUDARAM E HOJE A SOCIEDADE NÃO VIVE EM MEIO AOS MESMOS TIPOS DE CONFLITOS E REVOLTAS CONTRA O GOVERNO COMO VIVIA A SOCIEDADE BRASILEIRA NO SÉCULO XIX NA ÉPOCA DE DOM JOÃO, O QUE NÃO QUER DIZER QUE ATUALMENTE VIVEMOS NUMA SOCIEDADE PASSIVA. AS REVOLTAS SOCIAIS CONTINUAM, PORÉM EM CONTEXTOS DIFERENTES E EM UMA SOCIEDADE QUE TEMOS A LIBERDADE DE EXPRESSÃO GARANTIDA NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA.
HUGO EVARISTO/ANA ISA (2m3)

Eunomia ou Isonomia?






O governo a pouco menos de um mês terminou uma obra no Lago Sul. 66 km de acostamento ciclável em toda a Estrada Parque Dom Bosco (EPDB), além de ciclovias em algumas vias internas do bairro, que custaram R$ 3,6 milhões. Uma obra relativamente desnecessária uma vez que a ciclovia não é continua. Além de que o Lago Sul, bairro rico, onde maior parte dos moradores é elite, usaria uma ciclovia somente para lazer, enquanto em outros lugares do DF, que a bicicleta é um dos principais meios de transporte, não tem ruas asfaltadas, calçadas e muito menos ciclovias.
Muito dinheiro dos impostos da população é gasto desnecessariamente, tendo em vista que as prioridades não estão sendo respeitadas. È importante uma ciclovia? Sim, desde que nós não tivéssemos problemas urgentes a resolver em algumas cidades da periferia ou até mesmo nas cidades mais próximas do plano piloto, como: saneamento, pavimentação, escolas, hospitais, postos de saúde etc. A infra-estrutura de uma cidade custa muito caro, mas vivemos num grande impasse: será mais benéfico o governo investir em cuidados e apoio social, ou investir em melhorias de lazer de uma população não carente, mas que também tem os seus direitos? Porque é dessa população carente que se origina a grande parte da arrecadação desses impostos, tendo em vista que uma ciclovia não é apenas um recurso de lazer, mas também é uma forma de oferecer segurança a quem se utiliza desse recurso para trabalhar, pois muitos dos trabalhadores da região do lago sul são moradores das cidades próximas, como São Sebastião e Paranoá.
Essa situação pode ser comparada com a vinda da família real ao Brasil em 1808, que foram feitas muitas obras para acomodá-los, como a criação do Banco do Brasil, Jardim Botânico, Teatro Real, Imprensa Régia, Escola Médica, obras que seriam muito boas, se tivessem sido feitas espalhadas pelo Brasil, e não somente na capital, Rio de Janeiro, como aconteceu, então desde essa época podemos ver o quanto a elite é beneficiada em questão de obras no Brasil.





Andressa Daldegan/Hanna Frazão/Taís Taurisano (2m3)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Leite comCafé




Desde a colonização do Brasil até o final do império, o Brasil se utilizou de escravos, tanto africanos quanto nativos, para fazer o trabalho braçal. O homem explorava o próximo, tratando-o como objeto de troca, baseado apenas no simples prefixo da coloração epidérmica. Hoje, em pleno século XXI, em um mundo dominado pela globalização, onde o valor de um homem é determinado pelo seu poder monetário, as pessoas de descendência africana ainda sentem seqüelas dos períodos em que seus ancestrais dormiam em grilhões. Um homem negro é quase sempre considerado mais suspeito, subdesenvolvido, pobre ou ignorante quando comparado a um homem caucasiano. Preconceito e racismo são pragas que infestam a sociedade, e esse fato é captado com clareza nessa fotografia. Em uma escola particular brasileira, há uma média de um aluno negro por sala. Será o estudo, direito de toda criança e adolescente, restrito apenas a um grupo étnico? Será que os portões das escolas de qualidade não estão abertos para todos, independentemente da cor? A herança que o Brasil deu aos afro-descendentes foi uma herança de escravidão, um legado de dor, sangue e violência. O resultado disso é a espiral alto-destrutiva de desigualdades que impera em nossa sociedade.
Davi Borges/Diego Uhlmann/Theo Reis (2M2)