quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Os bons




“Os bons – eles não podem criar, eles são sempre o princípio do fim -


- eles crucificam aquele que escreve novos valores sobre novas tábuas, eles sacrificam a si o futuro, eles crucificam todo o futuro dos homens!
Os bons – eles foram sempre o princípio do fim... E sejam quais forem os danos que possam causar os caluniadores do mundo, o dano dos bons é o mais danoso dos danos. ”¹

O bom governou o Brasil através da figura de D. Pedro I. Esse que pouco conseguiu esconder e logo se revelou autoritário. Depois pela figura do brasileiro, a concretização da independência, durante a regência, e novamente sacrificou-se possibilitando revoltas de uma população desamparada pela falta de participação política. Desenvolvida a partir de leis propícias e poder financeiro, a dominação dos coronéis, justificada pela causa de sua “política de auxílio social” nos leva ao contraste entre o interesse público e o particular, que ganha prioridade disfarçando-se de bondade.
O bom torna-se bom disfarçando-se através da compaixão, dando pequenos prazeres àqueles que nada tem, escondido por crenças favoráveis e montado numa moral cristã, uma dominação maciça da população, a melhor forma propaganda, o melhor escudo. Mas uma vez que ele ultrapassa seus limites, que expõe aqueles que com ele levam a falsa moral e põe em risco toda a tradição, sua imagem é destruída para que a verdade eminente desapareça, e o normal, o ético e o moral continue comandando. A exemplo atual, temos o caso de Fernando Collor de Melo, “O caçador de Marajás”, que continuou com a mentira tradicional e que provavelmente se reelegeria, mas por mexer com quem não devia acabou saindo bem mais rápido por um crime mais simples que os cometidos hoje.
A falsa verdade demonstrada no Brasil Império, como citado, não surgiu ali, acompanha o homem desde a construção dos falsos valores, da antítese da vida, em pequena e grande escala, com o objetivo de dar poder a alguns e suprir a necessidade humana de crer em algo, tornando possível um ideal ilusório, o que se traduz na moral cristã.
A “política de auxílio social” é comumente implantada no Brasil visando “o bem do povo”. E hoje, ao dar pão, lotes e construir falsas ilusões, como se evidencia na foto, políticos tornam-se bons, são eleitos, tomam o poder mediante aprovação pública, e por serem bons, suas fraudes são omitidas e desconsideradas.
“E tudo isso foi acreditado como moral! – Ecrasez L’infame! ²”³
Natália Pantarotto (2m1)
¹ Nietzsche, Friedrich, Ecce Homo, L&PM Editores, Brasil, Porto Alegre, 2006, p.149.² “Esmagai a infame” Célebre frase de Voltaire a respeito da Igreja.³ Nietzsche, Friedrich, Ecce Homo, L&PM Editores, Brasil, Porto Alegre, 2006, p.154.

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