O Bicho - Manuel Bandeira
Vi ontem um bicho
Na imundíce do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com vorcidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Essa foto retrata brilhantemente a triste realidade da pobreza e da má distribuição de renda em nosso país, para não falarmos no mundo. No Brasil, esse flagelo atinge mais brutalmente as pessoas de cor negra. Por que será?
A resposta está no nosso passado. Os negros foram vítimas de uma expansão comercial, de um colonialismo, de um neocolonialismo, de uma ganância capitalista sem fim. A escravidão foi o abuso de uma raça sobre a outra. A que veio para “ensinar” o que era certo, a “inteligente” e “superior” sobre a que tinha tudo para “aprender” e por isso foi explorada, massacrada e humilhada. A raça que perdeu sua pátria, seu rei, seus deuses, seus filhos e seus direitos. A raça negra que serviu aos brancos e quando não lhes era mais interessante veio a ABOLIÇÃO.
Resolvemos escolher a foto dessa menina negra, comendo como um animal, com certeza morta de fome. Em seu rosto as marcas da tristeza, o olhar caído, a pele grossa e suja, o nariz escorrendo, o retrato do abandono. Por que, no Brasil, a maioria das pessoas que vivem nesse estado, é afro-descendente? Uma das respostas está na época do Império, quando a “bondosa” princesa Isabel resolveu assinar a Lei Áurea, aquela que libertou todos os escravos, definitivamente. Quem era aquela princesa tão “redentora” que pensou finalmente nos pobres escravos negros que sofreram durante tanto tempo? Era a filha de D. Pedro II que apenas assinou uma lei com dois artigos que não davam ao negro nada além de liberdade: nem terra, nem indenização, nem educação, nem garantias trabalhistas, nem saúde, nem emprego, nem cidadania. Que raça sem terra, pobre e esfomeada se reergueria num país de ricos e brancos latifundiários?
Isabella de Carvalho/Gustavo Mee (2m2)
Essa foto retrata brilhantemente a triste realidade da pobreza e da má distribuição de renda em nosso país, para não falarmos no mundo. No Brasil, esse flagelo atinge mais brutalmente as pessoas de cor negra. Por que será?
A resposta está no nosso passado. Os negros foram vítimas de uma expansão comercial, de um colonialismo, de um neocolonialismo, de uma ganância capitalista sem fim. A escravidão foi o abuso de uma raça sobre a outra. A que veio para “ensinar” o que era certo, a “inteligente” e “superior” sobre a que tinha tudo para “aprender” e por isso foi explorada, massacrada e humilhada. A raça que perdeu sua pátria, seu rei, seus deuses, seus filhos e seus direitos. A raça negra que serviu aos brancos e quando não lhes era mais interessante veio a ABOLIÇÃO.
Resolvemos escolher a foto dessa menina negra, comendo como um animal, com certeza morta de fome. Em seu rosto as marcas da tristeza, o olhar caído, a pele grossa e suja, o nariz escorrendo, o retrato do abandono. Por que, no Brasil, a maioria das pessoas que vivem nesse estado, é afro-descendente? Uma das respostas está na época do Império, quando a “bondosa” princesa Isabel resolveu assinar a Lei Áurea, aquela que libertou todos os escravos, definitivamente. Quem era aquela princesa tão “redentora” que pensou finalmente nos pobres escravos negros que sofreram durante tanto tempo? Era a filha de D. Pedro II que apenas assinou uma lei com dois artigos que não davam ao negro nada além de liberdade: nem terra, nem indenização, nem educação, nem garantias trabalhistas, nem saúde, nem emprego, nem cidadania. Que raça sem terra, pobre e esfomeada se reergueria num país de ricos e brancos latifundiários?
Isabella de Carvalho/Gustavo Mee (2m2)


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