segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O peso da liberdade

A relação de subjugação entre duas ou mais classes sociais é algo comum e quase intrínseco a todas as sociedades. No caso do Brasil, a classe que se encontra em posição desfavorecida nessa relação é composta majoritariamente por negros. Tal fato remete aos tempos de colonização, quando iniciou-se o tráfico de escravos – os portugueses traziam escravos da África para serem comercializados e para trabalharem nos engenhos, onde eram submetidos a condições subumanas e a constantes humilhações por parte de seus senhores. Mesmo quando conseguiam a liberdade, o que raramente acontecia, era extremamente difícil viver numa sociedade já habituada a ver o negro como um servo.
Estas condições continuaram a ser impostas aos negros mesmo após a abolição da escravidão. O negro continuava sendo sinônimo de indivíduo inferior, socialmente e economicamente, e servo por natureza. Com o passar do tempo, a sociedade foi evoluindo gradualmente e o racismo passou a ser algo não tão frequente e explícito quando nos tempos de escravidão, mas persiste no mundo atual, podendo ser manifestado abertamente ou não. Um exemplo disto é um estudo realizado em novembro de 2007 pela Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que revelou que a renda mensal de um negro pode ser até 52,9% menor do que a de um branco, mesmo que seu nível de escolaridade seja o mesmo. Este estudo comprova o racismo existente até mesmo no mercado de trabalho, mais de 120 anos após a abolição da escravidão.
Do início do tráfico negreiro até a assinatura da Lei Áurea, passaram-se mais de 300 anos. Este momento da história brasileira foi marcado pela intensa desvalorização do negro como membro da sociedade e pela clara discriminação sofrida por eles também em aspectos econômicos e jurídicos – mas a herança desse período para o mundo moderno não é somente o preconceito para com os negros, que acabam sendo associados inconscientemente a indivíduos desafortunados e acostumados com a submissão e a servidão; é também o fato de que eles ocupam posições menos privilegiadas na sociedade e compõem a maior parte das camadas mais pobres da população, condição essa que é despercebida pela maioria dos membros das classes média e alta e que apenas contribui para a formação de um abismo social no Brasil.
Giovanna Paglia/Luna Campos/Mariana Boueres (2m3)

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