quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Valorization do que é internacional

Não é de hoje que nós, brasileiros, tendemos a preferir o que vem de fora. Músicas, comidas, costumes e mão-de-obra. Tudo o que é europeu, estadunidense, é mais bonito, mais desenvolvido, é melhor.

Por que as pessoas preferem coca-cola a guaraná? Por que falar OK e não ‘tudo bem’? Por que falar drive thru, fast food, self-service? Por que comer McDonald’s e não uma boa comidinha mineira ou baiana? Por que o preconceito com as religiões Candomblé e Umbanda? Por que preferir Black Eyed Peas, Madonna, The Beatles à MPB, ao samba carioca com Fundo de Quintal, ao choro de Pixinguinha, ao frevo de Moraes Moreira, à bossa nova de Toquinho, ao pop rock com Engenheiros do Hawaii, à música caipira de Renato Teixeira, Almir Sater, ao forró com Luiz Gonzaga ou mesmo ao rap dos Racionais Mc’s?

Há quem diga que gosto não se discute. Abre-se, porém, a discussão: por que enaltecer outras culturas senão a nossa, de um Brasil pisoteado e influenciado desde o descobrimento até a era da globalização? E que descobrimento é este – cuja data comemora-se até hoje - se já havia um povo habitando esta terra? Culturas estas que engoliram a nossa identidade, impuseram outras religiões e costumes, governaram para benefício próprio, exploraram e subjugaram nosso povo; e ainda assim, o voto vai para eles...

Talvez parte da explicação para a falta de nacionalismo e o preconceito racial esteja no legado que herdamos do 2º Reinado, de Dom Pedro II, em que o Brasil viveu o auge da produção cafeeira e a tão almejada, a lenta e gradual, a última a acontecer na América Latina: abolição da escravatura! Foi neste período que eclodiu no país o “Projeto de Embranquecimento do Brasil”, o qual não só objetivou clarear nossa raça, a raça negra, indígena, mestiça e naquela concepção, fraca e submissa, mas preferiu descartar a mão-de-obra negra e importar a valiosíssima mão-de-obra européia. Junto a isto, A Lei Eusébio de Queiroz, 1850, decretou o fim do tráfico negreiro. “Já que um dia a mão-de-obra negra vai faltar, é melhor que um europeu venha trabalhar em minhas terras”, provável frase de um latifundiário brasileiro da época.
O fato é que sempre houve valorização do estrangeiro frente ao nacional e o brasileiro não faz muita questão de mudar.
Carpinteiro, marceneiro, bombeiro, vidraceiro, caseiro, jardineiro, porteiro, formigueiro, BRASILEIRO. Português, inglês, francês, holandês, norueguês, escocês, burguês. Ironia do destino ou simplesmente convenção lingüística?

Louise/Marcela (2m1)

Um comentário:

  1. Não aprendemos a valorizar o que é nosso....pq não temos o costume de lutar para conseguirmos nossas conquistas. Sempre tivemos as coisas prontas, como uma espécie de concessão(de favor) e por isso nos tornamos tão acomodados!

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